Amor de verdade se conserta, não se joga fora A cada esquina se acha alguém para se apaixonar, mas ninguém para amar. Por quê?

Romantic couple kissing at sunset © Joshua Resnick / ShutterstockRomantic couple kissing at sunset © Joshua Resnick / Shutterstock
Considerado o “Poderoso Chefão” dos sentimentos, todo mundo quer encontrar o grande amor. Mas, ao mesmo tempo, ninguém quer dividir tristezas e desilusões, sentir as incansáveis dores físicas, passar por torturas psicológias ou ficar noites sem dormir. Ninguém quer ter que aguentar o outro de mau humor, suportar as diferenças, compartilhar e ceder.

As pessoas querem mesmo é viver apaixonadas, tomar sol em uma casa de veraneio na praia ao som dos pássaros cantando e viver o sonho da família Doriana. Por isso, os amores de hoje são tão descartáveis. A cada esquina se acha alguém para se apaixonar, mas ninguém para amar. Cadê as pessoas que estão dispostas a suportar, no dia a dia, as imperfeições e que estão afim a criar problemas e, depois, resolvê-los juntas?

Está tão clichê dizer eu te amo e fazer amor (que nem pode mais se chamar de amor), que andar de mãos dadas não reflete companheirismo e um elo, mas sim, só mais duas mãos e alguns passos, que podem seguir separados. O que mais me impressiona não é nem o fato do “felizes para sempre” estar quase que em extinção, mas a coragem que as pessoas têm de, quando não  conseguirem fazer as coisas darem certo e enfrentarem dificuldades juntas, se consolarem com o simples “Não era pra ser…”. Porque afinal, a culpa toda é do destino.

Esses dias estava tentando resolver um cubo mágico e me irritei tão fácil que obviamente não cheguei nem na primeira lateral de cores. Fiquei pensando na quantidade de coisas na vida que deixamos passar por falta de força de vontade. Com o amor é assim. Não queremos unir o azul, o amarelo, o verde, o branco e o vermelho, queremos só o vermelho e pronto. Mas para tudo e todo tipo de amor, sejam entre homens e mulheres, amigos e familiares é preciso de uma união de cores, sentimentos e mais do que isso, paciência. Tudo precisa se encaixar no lugar certo.  Só que nós precisamos fazer nossa parte para que isso aconteça.  Tentar, quem sabe?

Muitas vezes nos contentamos em amar pela metade só porque achamos que felicidade é se manter apaixonado, sempre. Paixões são instantâneas. Isso vai e vem. São lindas, concordo, e fragmentos do amor, mas,  meu caro, apesar de estourar fogos de artífico no seu estômago infelizmente não durarão por uma vida inteira. Não é só somando alegrias e momentos bonitos que se ama, é no meio da turbulência que se descobre o verdadeiro amor.

Tem uma frase de Clarice que eu adoro que diz o seguinte: “Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil.” E acho que isso resume tudo. Paixão e carinho caminham juntos, mas para amar precisa-se de muito mais.

Fonte: aleteia.org

“ESSA, SIM, É CARNE DA MINHA CARNE!”

Acredito que todo homem, quando encontra a mulher definitiva, seu desejo traduzido em contornos, materializado numa pessoa, repete interiormente com Adão estas palavras antigas e sempre novas: “Essa, sim, é carne da minha carne, ossos dos meus ossos!”

Obviamente, o leitor mais atento saberá que essa exclamação aplica-se também à mulher, quando os seus sonhos ganham forma, assumindo concretude e abandonando o reino da abstração.

Ainda que não acreditemos tratar-se de um livro divinamente inspirado — não é o meu caso. Como católico, não me é dado ter dúvidas! –, parece-me incontestável que o primeiro livro da Bíblia está impregnado de um profundo conhecimento do homem.

Mas que querem dizer, afinal, aquelas palavras do Gênesis?

O próprio Gênesis ajuda-nos: “Não é bom que o homem esteja só.” “O homem (e a mulher) precisa de um auxílio que lhe seja semelhante”.

“Carne da minha carne, ossos dos meus ossos” significa alguém que se pareça comigo e que me realize. Não um idêntico, não um igual, mas alguém que possui os mesmos ideais, os mesmos valores, o mesmo desejo de caminhar na direção de Deus, de crescer para Deus. O homem, acabrunhado pela solidão mesmo ali no paraíso de delícias, havia procurado companhia entre todos os animais e nenhum encontrou que lhe agradasse, que lhe fosse semelhante. A Bíblia de Jerusalém traduz: “não encontrou ajuda que lhe correspondesse”.

Se é preciso estar de acordo sobre o que pedir para rezar comunitariamente, quanto mais é preciso estar de acordo sobre a casa que se quer construir ao casar, sobre o ideal a perseguir, sobre como educar os filhos.

“Carne da minha carne, ossos dos meus ossos”: essa aí me é tão semelhante que é capaz de formar uma só coisa comigo, como que um único ser, um único corpo e uma única alma. Ela é capaz de ouvir com os meus ouvidos, enxergar com os meus olhos e entender com a minha mente. É capaz de completar meus pensamentos inconclusos, de me levar mais longe do que eu iria sozinho. Aqueles outros animais do paraíso também podem significar aquelas pessoas tão diferentes de nós, que são incapazes de satisfazer-nos, de entender-nos, de enxergar a realidade como nós, de ajudar-nos a completar um pensamento.

Um bispo santo dizia: “A união dos corpos é fácil, pois um homem pode unir-se fisicamente a uma prostituta. A união dos corações é mais difícil e mais elevada. A união das almas, porém, é ainda mais rara e mais alta. É a que os casais devem buscar.”

“Carne da minha carne, ossos dos meus ossos”… Parece haver aí um certo deslumbramento, um ato de contemplação. Há aí uma espécie de supresa, de êxtase sereno, de conclusão sublime. O homem não tem mais dúvidas. É possível que as tivesse todas antes, ao examinar suas outras potenciais companhias. Agora, não. Não há mais dúvidas. Há certeza, admiração, sossego do espírito e quietude da alma.

Sozinho, o homem era incapaz de realizar-se e tornar-se fecundo. Dotado de alma racional, que é o que realmente o distingue dos outros animais, o homem precisa contemplar-se em outra alma como num espelho. Precisar ler e ser lido. Compreender e ser compreendido.

Por Paul Medeiros Krause

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Diane 35: o polêmico anticoncepcional causou 27 mortes só na Holanda


O Diane 35, uma pílula hormonal, está protagonizando uma polêmica que inclui mortes de mulheres jovens. O medicamento do laboratório alemão Bayer é usado como anticoncepcional, mas também para o tratamento da acne e pilosidade feminina.

Segundo o Centro de Vigilância Sanitária da Holanda, que se dedica a estudar os efeitos colaterais dos medicamentos, o Diane 35 causou a morte de 27 mulheres no país.

A maioria das mulheres que morreram tinha menos de 30 anos, e as principais causas das mortes foram embolia pulmonar e trombose, devido aos coágulos formados no corpo – um dos efeitos colaterais doremédio. Esta pílula também foi associada a estados de depressão nas mulheres, segundo pesquisadores do Reino Unido.

No início deste ano, a França proibiu o Diane 35, depois da morte de quatro mulheres; outras 100 desenvolveram coágulos potencialmente fatais depois de tomar o medicamento, mas as autoridades da União Europeia (UE) ordenaram que a França cancelasse a proibição em julho, alegando que os benefícios do remédio superam os riscos, quando ele é tomado como se indica: para o tratamento da acne e da pilosidade. Porém, a comissão da UE afirmou que a droga não é aconselhável comoanticoncepcional, segundo informações do site Life Site News.

O Diane 35 e a Bayer também foram criticados em outros países, pois várias mulheres jovens e saudáveis acabaram morrendo depois de tomar o remédio. Em 2001, o Reino Unido emitiu uma advertência sobre o risco de trombose venosa profunda associada ao Diane 35, e um estudo de 2009, na Dinamarca, mostrou que o risco de desenvolver este tipo de coágulos nas pacientes aumentou quase sete vezes no primeiro ano de uso.

A Austrália e o Canadá iniciaram pesquisas sobre a segurança do Diane 35 no último ano, impulsionados pela proibição francesa e pelo ativismo dos pais que perderam suas filhas devido a este medicamento.

No Canadá, um desses pais é Bruce McKenzie, cuja filha, Marit, uma jovem de 18 anos e estudante do primeiro ano da Universidade de Calgary, faleceu em 28 de janeiro, depois de tomar Diane 35 durante menos de um ano.

Algumas semanas antes da sua morte, a jovem começou a se sentir fraca, queixando-se de fadiga constante, até que, numa noite, chamou seu pai, dizendo-lhe que seu ritmo cardíaco tinha aumentado e que não conseguia respirar. Bruce a levou diretamente ao hospital, onde ela sofreu quatro infartos do miocárdio antes de que os médicos percebessem que ela tinha uma embolia massiva bloqueando o fluxo de sangue nos pulmões. Dois dias depois, ela faleceu.

Outras 13 mulheres canadenses morreram prematuramente devido ao Diane 35, desde 2000, segundo a base de dados do Health Canada. Oito delas eram menores de 21 anos; outras 165 sofreram lesões graves ou ficaram inválidas pelo uso do medicamento.

O Canadá tem pesquisado sobre a segurança do Diane 35 nos últimos dez anos, mas as agências de saúde sempre acabaram concluindo, como na União Europeia, que os benefícios do remédio são maiores que seus riscos.

A Bayer manifestou “suas mais profundas condolências pelas mulheres e famílias que foram prejudicadas pelo uso do Diane 35”. E acrescentou: “A Bayer se dispõe a colaborar com as respectivas autoridades de saúde sobre o uso e o perfil de risco e benefícios do Diane 35”.

Fonte: aleteia.org

Namoradinhos

Por Carlos Ramalhete

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Poucas coisas me comovem mais que ver um casal de namoradinhos andando na rua de mãos dadas. O mundo, para eles, não existe: existe o outro, existe o sorriso, a mão, o olhar, as palavras sem sentido denotativo, mas com valor infinito pelo amor que conotam.

A cada geração a mesma mágica se repete; afinal, é dela que vêm as novas gerações. A cada geração, como se fossem o primeiro casal, rapaz e moça arquetípicos se encontram, apaixonam-se, dão-se as mãos e esquecem de todo o resto. Aconteceu com meu bisavô, com meu avô, comigo. Há de acontecer com meus filhos, netos e bisnetos. Faz parte da natureza humana.

E nada, nunca, muda: cada casal se acha o primeiro, vive aquele amor como se fosse o único, como se, dando-se as mãos, voltassem à inocência primeva. Cada casalzinho ficaria chocado ao perceber que não, não são os primeiros. Que não, não é em nada diferente o que ocorre com eles e o que se vislumbra em alguma foto amarelada do avô e da avó.

Para eles, nada há de mais belo que o outro, aquele ser que em si encerra o mundo. Minha avó, sempre ferina, dizia que “mulher não casa com carrapato porque não sabe qual é o macho e qual é a fêmea”. Mas, na verdade, não é só à mulher que o ditado se aplica, mas ao ser humano. Quantos casaizinhos vemos em que aquilo que qualquer outra pessoa qualificaria de feiura transmuta-se alquimicamente na mais pura beleza ao ser filtrado pelos olhos nublados do observador apaixonado?! No amor, o amado é sempre lindo e a amada é sempre divinal.

É uma inserção na eternidade, sempre repetida, sempre nova, que ocorre a cada nova geração. O casalzinho que passa não é apenas novo, nem meramente antigo: é, ao mesmo tempo, ridiculamente jovem – basta ver as espinhas que eles não percebem no rosto do outro! – e pateticamente antigo, como provam os gestos, os balbucios pré-verbais, o fechamento num universo que parece ser anterior à própria Criação. É uma dessas coisas que mostram como o homem, decididamente, é um ser único, com os pés no chão e a cabeça no Céu. Capaz de viver no tempo algo completamente atemporal.

E é nesta repetição, constante ao longo dos séculos, que a natureza humana se reafirma, se apruma e continua. Naquela beleza eterna, fechada ao resto do mundo. Naqueles apelidos ridículos, naquela dependência patética de outra criatura que nos cega à razão, nos diminui e, assim, nos eleva às raias do eterno em que nos insere. Naquele casal de namoradinhos que vai ali, de mãos dadas, atravessando a rua sem olhar. Eles são eternos.

Publicado em Gazeta do Povo

Abraçando a ordem moral: o conselho matrimonial de Jane Austen

Por Chuck Colson

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Marianne tinha ainda de aprender o que C.S. Lewis ensinava: que a questão não é quais sentimentos por acaso tenhamos, mas quais sentimentos deveríamos ter.

Os especialistas têm muitas ideias do motivo por que os casamentos se desmoronam. Mas uma das minhas respostas favoritas vem de alguém que deu um conselho literário sobre casamento – uns 200 anos atrás: Jane Austen.

A senhorita Austen tinha um olho prazerosamente satírico – uma maneira de olhar a vida que se refletia nas novelas dela. Mas conforme Benjamin Wiker aponta em seu recente livro “10 Books Every Conservative Must Read” (10 Livros que Todo Conservador Tem de Ler), Austen, filha de um pastor evangélico, também tinha uma forte essência bíblica de bom senso – principalmente no que se referia a relacionamentos românticos. Os livros dela refletem a ordem moral, e celebram o casamento.

Wiker observa que Austen viveu durante o início do movimento do romantismo. Os românticos viviam uma vida “definida pelas paixões do momento. Para eles, sentir era tudo”.

Na novela dela “Sense and Sensibility” (Razão e Sensibilidade), Austen descreve as consequências inevitáveis dessa maneira de olhar a vida. É a história de duas irmãs, ambas das quais se apaixonam profundamente. A irmã mais velha, Elinor, “aprendeu a governar e guiar suas paixões através da razão”, diz Wiker – e no final de tudo se casa com um homem de bom caráter.

Em contraste, a irmã mais nova, Marianne, se entrega a suas paixões sem se importar com a prudência. Embora Elinor avise Marianne para não entregar o coração dela a um jovem atencioso que ela mal conhece, para Marianne, comenta Wiker, “a paixão é a coisa principal. Os sentimentos têm de tomar o lugar da razão”. E “sendo uma criatura de sensibilidade, Marianne não tem juízo”, nenhum interesse em aprender bom juízo moral, que envolve “treinar os sentimentos por meio do hábito e da razão”.

Marianne tinha ainda de aprender o que C.S. Lewis ensinava: que a questão não é quais sentimentos por acaso tenhamos, mas quais sentimentos deveríamos ter. Portanto, diz Wiker: “Temos de nos educar a treinar nossos pensamentos e sentimentos a refletir de forma correta a real ordem moral”.

Marianne não via nenhuma necessidade para isso – e essa é a razão por que, no tempo devido, o coração dela foi ferido pelo imprestável jovem pelo qual ela tinha com tanta pressa – e imprudência – se apaixonado.

Infelizmente, nossa cultura adotou a atitude de Marianne até à sua conclusão lógica – e trágica -, comenta Wiker. Como os românticos, o moderno esquerdismo celebra “a vitória da sensibilidade acima do bom senso, as paixões acima da razão, a auto-concentração acima do dever moral e a anarquia romântica acima da tradição”.

Jane Austen teria “com toda a justiça ficado horrorizada com nossa atitude de não dar atenção aos avisos dela, mas não teria ficado surpresa com os resultados” – inclusive, lamentavelmente, com o elevado índice de divórcios e a sedução de tantas jovens descuidadas nas mãos de homens de mau caráter.

Como seríamos mais felizes se tanto homens quanto mulheres tirassem o tempo para aprender bom juízo moral e controlar seus sentimentos mais impulsivos para refletirem a ordem moral. Em vez de se precipitarem de cabeça para o casamento, eles deveriam ir lentamente, convidando o conselho de pessoas sábias como pais, amigos e conselheiros de igreja.

Embora seja “uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma grande fortuna tem necessidade de uma esposa”, conforme Austin satiricamente fala – ela se certificaria de que seus leitores tivessem aprendido um objetivo mais sério: que a rota para a felicidade matrimonial é reconhecer que há uma ordem moral, e que nós a ignoramos por nossa própria conta e risco.

 

 

Retirado do Mídia sem máscara

Publicado com a permissão de Breakpoint.org

Tradução: Julio Severo

Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com

Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/news/embracing-the-moral-order-jane-austens-marital-advice

O relatório Kinsey: consequências de uma difusão mundial de mentiras

Por Belén Vendrel

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A aceitação pouco crítica dos resultados do chamado “Relatório Kinsey” teve muita influência na cultura e nas políticas públicas das últimas décadas. Como mostra a autora dessa apertada síntese – um resumo da sua exposição num Congresso realizado em 2001 –, a “revolução sexual” iniciada por Kinsey – que ainda hoje perturba a vida de muitas pessoas e famílias – exige como resposta uma vigorosa afirmação do verdadeiro significado da sexualidade humana.

UM “RELATÓRIO” SOBRE A SEXUALIDADE HUMANA

Os resultados publicados pelo biólogo norte americano Alfred C. Kinsey entre 1948 e 1953, sobre o comportamento sexual de homens e mulheres, o famigerado Relatório Kinsey (), contribuíram muito para desencadear a chamada “revolução sexual” que se deu a partir dos anos 60 <1>.

() Convencionou-se chamar de “Relatório Kinsey” o conteúdo dos livros: KINSEY, Alfred C., POMEROY, Wardell B. e MARTIN, Clyde E. Sexual Behavior in the Human Male, W.B. Saunders Co., PhiladelphiaLondon, 1948 e KINSEY, Alfred C., POMEROY, Wardell B., MARTIN, Clyde E. e GEBHARD, Paul H. Sexual Behavior in the Human Female, W.B. Saunders Co., PhiladelphiaLondon, 1953.

Kinsey defendeu que todos os comportamentos sexuais considerados anômalos são na verdade normais, e ao mesmo tempo afirmou que ser exclusivamente heterossexual é anormal: é fruto de inibições culturais e de condicionamentos sociais, contrários à natureza do homem. Ele compartilhava a opinião dos que afirmam que os cristãos herdaram o comportamento sexual quase paranóico dos judeus.

Após 40 anos, durante os quais deu-se um crédito quase absoluto aos dados publicados por Kinsey – com terríveis conseqüências morais e intelectuais para a Sociedade –, cientistas de vários países demonstraram a falsidade das conclusões do “relatório” e o seu escasso rigor científico. Para dar um exemplo disso, podemos mencionar o recente estudo intitulado “Sexo na América: uma pesquisa definitiva” <Sex in América: a Definitive Survey, Warner Books, 1995>, dos pesquisadores norte-americanos John H. Gagnon, Robert T. Michael e Edward O. Laumann, da Universidade de Chicago, e da repórter do The New York Times, Gina Kolata, que desfez grande parte dos mitos criados pelo relatório do biólogo.

Os dados estatísticos de Kinsey parecem ter sido manipulados, já que a amostra era claramente viciada (era alto o percentual de presidiários, exibicionistas, pedófilos e “turistas” sexuais) e a metodologia incluía maus-tratos e estimulação sexual de crianças e até de bebês de poucos meses por parte de adultos <2>.

Kinsey e seus colaboradores pretenderam mudar os valores morais tradicionais empregando a seguinte estratégia:

a) Defender a ideia de que a bissexualidade é a orientação sexual própria de pessoas normais e desinibidas. Isso encorajaria pessoas heterossexuais a praticarem atos homossexuais, já que a heterossexualidade seria apenas mais uma opção num amplo leque de condutas sexuais. Assim seria alterada a norma da sexualidade heterossexual, e com ela a estrutura familiar tradicional, os valores e os padrões de comportamento sexual convencionais.

b) Propor um plano para que as crianças fossem educadas na bissexualidade e treinadas por membros da geração precedente. Essas teorias tiveram influência na Sociedade e na Ciência, contribuindo decisivamente para que a homossexualidade desaparecesse do catálogo de patologias mentais, salvo o caso de distonia (caso em que a pessoa com inclinações homossexuais sente-se mal por isso).

Por outro lado, é importante assinalar que até mesmo cientistas da escola de Kinsey, apesar de manifestarem abertamente que a conduta homossexual é normal e plenamente aceitável, dizem que “é de importância vital que todos os profissionais no campo da saúde mental tenham presente que o homem ou a mulher homossexual é homem ou mulher por determinação genética e tem tendências homossexuais por preferência adquirida” <3>. Isso corroboraria a hipótese de que as inclinações homossexuais não são inatas no indivíduo. O psiquiatra L. J. Hatterer chega até a afirmar rotundamente: “Os psiquiatras chegaram finalmente à conclusão de que os fatores genéticos, hereditários, constitucionais, glandulares e hormonais não têm nenhuma importância como causa da homossexualidade” <4>.

Cada dia é maior o número de especialistas que não renunciaram à terapia de restauração da identidade sexual, considerando a inclinação homossexual como um transtorno psíquico de tipo neurótico – adquirido ao longo da infância ou da adolescência – que pode ser tratado <5>.

Além do mais, Kinsey utilizou o termo dependência para referir-se às relações maritais que preservam a fidelidade da união conjugal, como se ser fiel ao cônjuge fosse alguma espécie de vício.

Infelizmente, as conclusões de Kinsey continuam sendo levadas em conta quando se tomam decisões sobre políticas de saúde sexual e/ou reprodutiva, e constituem boa parte do conteúdo dos programas educativos em matéria de sexualidade em todo o mundo.

As conseqüências mais diretas de tais divulgações científicas foram:

– a separação (que se tenta justificar eticamente) entre a atividade sexual e a procriação;

– o exercício da sexualidade fora do matrimônio (o chamado “amor livre”);

– e a separação entre a atividade sexual e o amor.

SEXO, PROCRIAÇÃO E FAMÍLIA

Com o rápido surgimento dos primeiros métodos anticoncepcionais nos anos 60 e com a adoção de um conceito antinatural de Planejamento Familiar por parte dos órgãos oficiais de Saúde Pública, a fertilidade – entendida como dimensão constitutiva da sexualidade e como capacidade de procriação – começou a ser encarada como uma ameaça à Humanidade.

Diante dessa crítica situação, o Papa Paulo VI apresentou em 1968 a sua profética Encíclica Humanae Vitae sobre o amor humano e sobre a “paternidade responsável”, na qual opunha-se valentemente à já mencionada visão deformada da sexualidade e à utilização de métodos anticoncepcionais que impeçam a reta regulação da fertilidade. Paulo VI desenvolve nesse texto um belo projeto sobre a decisão e realização da procriação, respeitando a dignidade dos esposos e a vocação à doação própria do amor esponsal. Ele exortou os cientistas a esforçarem-se por encontrar, dentro do âmbito da sua competência, soluções para os problemas nessa matéria, convencidos de que não pode haver contradição entre a Ciência e a Fé <6>.

No fim da década de 70, em defesa do direito de decidir sobre a capacidade de procriação, foram desenvolvidas e implantadas as técnicas de Reprodução Assistida, que envolvem a separação entre a procriação e a sexualidade (procriação sem atividade sexual). Em 1978, obteve-se o nascimento do primeiro bebê de proveta (com a transferência do embrião) e nos anos 80 a técnica – conhecida como FIVET (Fertilization In Vitro with Embryo Transference) – foi aperfeiçoada. O passo mais recente é a clonagem, desenvolvida já nos anos 90.

Nos últimos anos – dentro de um processo que poderíamos chamar de gradual desestruturação cultural e humana da instituição familiar –, vem sendo proposta a separação entre identidade sexual e gênero: Ser homem ou mulher não estaria determinado fundamentalmente pelo sexo, mas pela cultura.

Tal mentalidade ataca as próprias bases da família e das relações interpessoais. Se a questão do gênero é cultural e se a pessoa não se identifica com o sexo à hora de projetar-se como masculina ou feminina, então porque a mãe não pode fazer o papel de pai e vice-versa?

Neste início do novo milênio, uma profunda crise da paternidade em todos os níveis – biológico, ontológico, educativo e funcional – levou a Sociedade a aceitar como normal a separação entre procriação e paternidade. O pai já não é mais necessário para procriar. Está sendo estudada até mesmo a reprodução a partir de duas mulheres. A Sociedade ideal deveria conduzir à indiferenciação sexual. As pessoas com inclinações homossexuais teriam amparo jurídico e social para as suas situações sexuais e os filhos perderiam definitivamente a figura do pai.

O pai desaparece quando o que se pretende é que o filho dependa unicamente da decisão individual da mulher, às vezes até de maneira homossexual, em nome de uma biologização solitária da filiação. O pai é afinal privado do seu filho e destituído da sua função. As conseqüências de tudo isso pertencem ao campo da Ética e, portanto, da Bioética, já que estamos falando da vida do Homem.

Como diz o Professor Anatrella, não basta apenas fabricar carne humana: a filiação deve ser estabelecida partindo da diferença de sexo entre pai e mãe e da sucessão de gerações, e deve ser instituída de modo a poder desenvolver-se e reproduzir-se na História. Uma Antropologia que negue essa realidade – e que portanto sirva de base para uma Ética e para uma Bioética igualmente distorcidas – contradiz a verdade sobre o Homem <7>. As palavras do Papa João Paulo II, ditas há 20 anos na Familiaris Consortio, foram realmente proféticas: “é necessário esforçar-se para que se recupere socialmente a convicção de que o lugar e a tarefa do pai na e pela família são de importância única e insubstituível” <8>.

NOTAS

<1> Cfr. TARASCO, M. “Consideraciones sobre la Influencia del Reporte Kinsey” inCuadernos de Bioética nº 4, Grupo de Investigación en Bioética de Galicia, Santiago de Compostela, 1997.
<2> Cfr. REISMAN, Judith. Kinsey, Crimes Consequences, The Institute for Media Education, Crestwood, KY, 1998 e REISMAN, Judith e EICHEL, Edward. Kinsey, SexFraud: The Indoctrination of a People, Lafayette, LA, Huntington House, 1990.
<3> MASTERS, W.H. e JOHNSON, V.E. Homosexuality in Perspective, Little, BrownCompany, Boston, 1979. ( Citado por VAN DEN AARWEG, G. Homossexualidade e Esperança, Diel, Lisboa 2002, p.57 )
<4> HATTERER, L.J. Changing Homosexuality in the Male, McGraw-Hill, New York, 1970. (citado por VAN DEN AARWEG, G. Homossexualidade e Esperança, Diel, Lisboa 2002, p.58 )
<5> “A homoxessualidade é justamente um tipo de neurose. A pessoa que sofre este complexo leva dentro uma certa ´criança que se auto-compadece´“. VAN DEN AARWEG, G. Homossexualidade e Esperança, Diel, Lisboa 2002, p.94
<6> Cfr. PAULO VI, Encíclica Humanae Vitae, nº 24.
<7> Cfr. ANATRELLA, T. “Las consecuencias psicológicas de la disfunción del sentido de la paternidad en la sociedad actual” em Familia et Vita, edição espanhola, ano IV, nn. 2-3, 1999.
<8> JOÃO PAULO II, Exortação Apostólica Familiaris Consortio, nº 25.

 

Fonte: ConeZe.com

Tradução: Quadrante

ImagemO divórcio é algo que os meios de comunicação não só abordam, como também tratam como se fosse uma festa, algo que mereceria as mesmas flores e pompas de uma boda. Uma celebração que teria, da mesma forma, sua torta de divorcio, sua lista de presentes, muitos taças em brindes alegres e um grupo de convidados aglomerados para ver o marido e a mulher desaparecerem em direções opostas. Não vou defender, neste momento, minha visão religiosa do casamento. Só quero mostrar a freqüente falta de lógica com que tratam este assunto. Nem de longe é um debate racional, senão uma espécie de coro sentimental com argumentos do tipo: “Nós respeitamos o casamento. Inclusive ele nos parece fantástico e sagrado. Porém o casamento é amor, e quando o amor passa de um lugar para outro, quando morre e renasce em outro lugar, o casamento tem que fazer o mesmo”. Com toda minha simpatia pelos sentimentais, este pensamento é uma falácia. É como se um ladrão dissesse que tem respeito pelas coisas dos outros, porém que está pensando em roubar um quadro de Van Gogh do barão Thyssen, porque ele já não o aprecia tanto. É obvio que esta pessoa não entende o que significa uma lei, nem tampouco uma instituição. Porque o casamento é uma instituição jurídica como qualquer outra, estabelecida para cumprir certas funções. Uma chácara não pode se despedir do caseiro, quando o interesse dele por ela começa a decair. Um cão não pode deixar seu dono e fugir alegremente com outra pessoa. E a relação entre esposos, bem como a relação entre pais e filhos, não pode ser desfeita por um mero afloramento sentimental. Há exceções, porém o que agora me interessa é deixar claro que existe uma instituição que exige lealdade. Os sentimento têm o direito de terem os sentimentos que quiserem, porém não podem afirmar que uma instituição é a mesma coisa que uma emoção. Um dos inconvenientes do mundo pagão era que abaixo de certo nível social, ninguém estava seguro quanto a questão da paternidade. Quando as escravas cristãs começaram a defender sua dignidade até a morte, um novo mundo brotou. A cristandade, foi a civilização que esses mártires construíram. E agora, a antiga escravidão volta a oferecer o mais forte de seus subornos. Aqueles que desejam a degradação da dignidade humana, têm escolhido muito bem seus instrumentos.”

G.K.Chesterton 

Os estimuladores do divórcio*

*Capítulo disponível no livro La Mujer y la Familia, publicado pela editora Styria