Humanizando o Sexo

Por Carlos Ramalhete

Imagem

Poucas coisas me comovem mais que ver um casal de namoradinhos andando na rua de mãos dadas. O mundo, para eles, não existe: existe o outro, existe o sorriso, a mão, o olhar, as palavras sem sentido denotativo, mas com valor infinito pelo amor que conotam.

A cada geração a mesma mágica se repete; afinal, é dela que vêm as novas gerações. A cada geração, como se fossem o primeiro casal, rapaz e moça arquetípicos se encontram, apaixonam-se, dão-se as mãos e esquecem de todo o resto. Aconteceu com meu bisavô, com meu avô, comigo. Há de acontecer com meus filhos, netos e bisnetos. Faz parte da natureza humana.

E nada, nunca, muda: cada casal se acha o primeiro, vive aquele amor como se fosse o único, como se, dando-se as mãos, voltassem à inocência primeva. Cada casalzinho ficaria chocado ao perceber que não, não são os primeiros. Que não, não é em nada diferente o que ocorre com eles e o que se vislumbra em alguma foto amarelada do avô e da avó.

Para eles, nada há de mais belo que o outro, aquele ser que em si encerra o mundo. Minha avó, sempre ferina, dizia que “mulher não casa com carrapato porque não sabe qual é o macho e qual é a fêmea”. Mas, na verdade, não é só à mulher que o ditado se aplica, mas ao ser humano. Quantos casaizinhos vemos em que aquilo que qualquer outra pessoa qualificaria de feiura transmuta-se alquimicamente na mais pura beleza ao ser filtrado pelos olhos nublados do observador apaixonado?! No amor, o amado é sempre lindo e a amada é sempre divinal.

É uma inserção na eternidade, sempre repetida, sempre nova, que ocorre a cada nova geração. O casalzinho que passa não é apenas novo, nem meramente antigo: é, ao mesmo tempo, ridiculamente jovem – basta ver as espinhas que eles não percebem no rosto do outro! – e pateticamente antigo, como provam os gestos, os balbucios pré-verbais, o fechamento num universo que parece ser anterior à própria Criação. É uma dessas coisas que mostram como o homem, decididamente, é um ser único, com os pés no chão e a cabeça no Céu. Capaz de viver no tempo algo completamente atemporal.

E é nesta repetição, constante ao longo dos séculos, que a natureza humana se reafirma, se apruma e continua. Naquela beleza eterna, fechada ao resto do mundo. Naqueles apelidos ridículos, naquela dependência patética de outra criatura que nos cega à razão, nos diminui e, assim, nos eleva às raias do eterno em que nos insere. Naquele casal de namoradinhos que vai ali, de mãos dadas, atravessando a rua sem olhar. Eles são eternos.

Publicado em Gazeta do Povo

Por Chuck Colson

Imagem

Marianne tinha ainda de aprender o que C.S. Lewis ensinava: que a questão não é quais sentimentos por acaso tenhamos, mas quais sentimentos deveríamos ter.

Os especialistas têm muitas ideias do motivo por que os casamentos se desmoronam. Mas uma das minhas respostas favoritas vem de alguém que deu um conselho literário sobre casamento – uns 200 anos atrás: Jane Austen.

A senhorita Austen tinha um olho prazerosamente satírico – uma maneira de olhar a vida que se refletia nas novelas dela. Mas conforme Benjamin Wiker aponta em seu recente livro “10 Books Every Conservative Must Read” (10 Livros que Todo Conservador Tem de Ler), Austen, filha de um pastor evangélico, também tinha uma forte essência bíblica de bom senso – principalmente no que se referia a relacionamentos românticos. Os livros dela refletem a ordem moral, e celebram o casamento.

Wiker observa que Austen viveu durante o início do movimento do romantismo. Os românticos viviam uma vida “definida pelas paixões do momento. Para eles, sentir era tudo”.

Na novela dela “Sense and Sensibility” (Razão e Sensibilidade), Austen descreve as consequências inevitáveis dessa maneira de olhar a vida. É a história de duas irmãs, ambas das quais se apaixonam profundamente. A irmã mais velha, Elinor, “aprendeu a governar e guiar suas paixões através da razão”, diz Wiker – e no final de tudo se casa com um homem de bom caráter.

Em contraste, a irmã mais nova, Marianne, se entrega a suas paixões sem se importar com a prudência. Embora Elinor avise Marianne para não entregar o coração dela a um jovem atencioso que ela mal conhece, para Marianne, comenta Wiker, “a paixão é a coisa principal. Os sentimentos têm de tomar o lugar da razão”. E “sendo uma criatura de sensibilidade, Marianne não tem juízo”, nenhum interesse em aprender bom juízo moral, que envolve “treinar os sentimentos por meio do hábito e da razão”.

Marianne tinha ainda de aprender o que C.S. Lewis ensinava: que a questão não é quais sentimentos por acaso tenhamos, mas quais sentimentos deveríamos ter. Portanto, diz Wiker: “Temos de nos educar a treinar nossos pensamentos e sentimentos a refletir de forma correta a real ordem moral”.

Marianne não via nenhuma necessidade para isso – e essa é a razão por que, no tempo devido, o coração dela foi ferido pelo imprestável jovem pelo qual ela tinha com tanta pressa – e imprudência – se apaixonado.

Infelizmente, nossa cultura adotou a atitude de Marianne até à sua conclusão lógica – e trágica -, comenta Wiker. Como os românticos, o moderno esquerdismo celebra “a vitória da sensibilidade acima do bom senso, as paixões acima da razão, a auto-concentração acima do dever moral e a anarquia romântica acima da tradição”.

Jane Austen teria “com toda a justiça ficado horrorizada com nossa atitude de não dar atenção aos avisos dela, mas não teria ficado surpresa com os resultados” – inclusive, lamentavelmente, com o elevado índice de divórcios e a sedução de tantas jovens descuidadas nas mãos de homens de mau caráter.

Como seríamos mais felizes se tanto homens quanto mulheres tirassem o tempo para aprender bom juízo moral e controlar seus sentimentos mais impulsivos para refletirem a ordem moral. Em vez de se precipitarem de cabeça para o casamento, eles deveriam ir lentamente, convidando o conselho de pessoas sábias como pais, amigos e conselheiros de igreja.

Embora seja “uma verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro na posse de uma grande fortuna tem necessidade de uma esposa”, conforme Austin satiricamente fala – ela se certificaria de que seus leitores tivessem aprendido um objetivo mais sério: que a rota para a felicidade matrimonial é reconhecer que há uma ordem moral, e que nós a ignoramos por nossa própria conta e risco.

 

 

Retirado do Mídia sem máscara

Publicado com a permissão de Breakpoint.org

Tradução: Julio Severo

Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com

Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/news/embracing-the-moral-order-jane-austens-marital-advice

Por Belén Vendrel

Imagem

A aceitação pouco crítica dos resultados do chamado “Relatório Kinsey” teve muita influência na cultura e nas políticas públicas das últimas décadas. Como mostra a autora dessa apertada síntese – um resumo da sua exposição num Congresso realizado em 2001 –, a “revolução sexual” iniciada por Kinsey – que ainda hoje perturba a vida de muitas pessoas e famílias – exige como resposta uma vigorosa afirmação do verdadeiro significado da sexualidade humana.

UM “RELATÓRIO” SOBRE A SEXUALIDADE HUMANA

Os resultados publicados pelo biólogo norte americano Alfred C. Kinsey entre 1948 e 1953, sobre o comportamento sexual de homens e mulheres, o famigerado Relatório Kinsey (), contribuíram muito para desencadear a chamada “revolução sexual” que se deu a partir dos anos 60 <1>.

() Convencionou-se chamar de “Relatório Kinsey” o conteúdo dos livros: KINSEY, Alfred C., POMEROY, Wardell B. e MARTIN, Clyde E. Sexual Behavior in the Human Male, W.B. Saunders Co., PhiladelphiaLondon, 1948 e KINSEY, Alfred C., POMEROY, Wardell B., MARTIN, Clyde E. e GEBHARD, Paul H. Sexual Behavior in the Human Female, W.B. Saunders Co., PhiladelphiaLondon, 1953.

Kinsey defendeu que todos os comportamentos sexuais considerados anômalos são na verdade normais, e ao mesmo tempo afirmou que ser exclusivamente heterossexual é anormal: é fruto de inibições culturais e de condicionamentos sociais, contrários à natureza do homem. Ele compartilhava a opinião dos que afirmam que os cristãos herdaram o comportamento sexual quase paranóico dos judeus.

Após 40 anos, durante os quais deu-se um crédito quase absoluto aos dados publicados por Kinsey – com terríveis conseqüências morais e intelectuais para a Sociedade –, cientistas de vários países demonstraram a falsidade das conclusões do “relatório” e o seu escasso rigor científico. Para dar um exemplo disso, podemos mencionar o recente estudo intitulado “Sexo na América: uma pesquisa definitiva” <Sex in América: a Definitive Survey, Warner Books, 1995>, dos pesquisadores norte-americanos John H. Gagnon, Robert T. Michael e Edward O. Laumann, da Universidade de Chicago, e da repórter do The New York Times, Gina Kolata, que desfez grande parte dos mitos criados pelo relatório do biólogo.

Os dados estatísticos de Kinsey parecem ter sido manipulados, já que a amostra era claramente viciada (era alto o percentual de presidiários, exibicionistas, pedófilos e “turistas” sexuais) e a metodologia incluía maus-tratos e estimulação sexual de crianças e até de bebês de poucos meses por parte de adultos <2>.

Kinsey e seus colaboradores pretenderam mudar os valores morais tradicionais empregando a seguinte estratégia:

a) Defender a ideia de que a bissexualidade é a orientação sexual própria de pessoas normais e desinibidas. Isso encorajaria pessoas heterossexuais a praticarem atos homossexuais, já que a heterossexualidade seria apenas mais uma opção num amplo leque de condutas sexuais. Assim seria alterada a norma da sexualidade heterossexual, e com ela a estrutura familiar tradicional, os valores e os padrões de comportamento sexual convencionais.

b) Propor um plano para que as crianças fossem educadas na bissexualidade e treinadas por membros da geração precedente. Essas teorias tiveram influência na Sociedade e na Ciência, contribuindo decisivamente para que a homossexualidade desaparecesse do catálogo de patologias mentais, salvo o caso de distonia (caso em que a pessoa com inclinações homossexuais sente-se mal por isso).

Por outro lado, é importante assinalar que até mesmo cientistas da escola de Kinsey, apesar de manifestarem abertamente que a conduta homossexual é normal e plenamente aceitável, dizem que “é de importância vital que todos os profissionais no campo da saúde mental tenham presente que o homem ou a mulher homossexual é homem ou mulher por determinação genética e tem tendências homossexuais por preferência adquirida” <3>. Isso corroboraria a hipótese de que as inclinações homossexuais não são inatas no indivíduo. O psiquiatra L. J. Hatterer chega até a afirmar rotundamente: “Os psiquiatras chegaram finalmente à conclusão de que os fatores genéticos, hereditários, constitucionais, glandulares e hormonais não têm nenhuma importância como causa da homossexualidade” <4>.

Cada dia é maior o número de especialistas que não renunciaram à terapia de restauração da identidade sexual, considerando a inclinação homossexual como um transtorno psíquico de tipo neurótico – adquirido ao longo da infância ou da adolescência – que pode ser tratado <5>.

Além do mais, Kinsey utilizou o termo dependência para referir-se às relações maritais que preservam a fidelidade da união conjugal, como se ser fiel ao cônjuge fosse alguma espécie de vício.

Infelizmente, as conclusões de Kinsey continuam sendo levadas em conta quando se tomam decisões sobre políticas de saúde sexual e/ou reprodutiva, e constituem boa parte do conteúdo dos programas educativos em matéria de sexualidade em todo o mundo.

As conseqüências mais diretas de tais divulgações científicas foram:

– a separação (que se tenta justificar eticamente) entre a atividade sexual e a procriação;

– o exercício da sexualidade fora do matrimônio (o chamado “amor livre”);

– e a separação entre a atividade sexual e o amor.

SEXO, PROCRIAÇÃO E FAMÍLIA

Com o rápido surgimento dos primeiros métodos anticoncepcionais nos anos 60 e com a adoção de um conceito antinatural de Planejamento Familiar por parte dos órgãos oficiais de Saúde Pública, a fertilidade – entendida como dimensão constitutiva da sexualidade e como capacidade de procriação – começou a ser encarada como uma ameaça à Humanidade.

Diante dessa crítica situação, o Papa Paulo VI apresentou em 1968 a sua profética Encíclica Humanae Vitae sobre o amor humano e sobre a “paternidade responsável”, na qual opunha-se valentemente à já mencionada visão deformada da sexualidade e à utilização de métodos anticoncepcionais que impeçam a reta regulação da fertilidade. Paulo VI desenvolve nesse texto um belo projeto sobre a decisão e realização da procriação, respeitando a dignidade dos esposos e a vocação à doação própria do amor esponsal. Ele exortou os cientistas a esforçarem-se por encontrar, dentro do âmbito da sua competência, soluções para os problemas nessa matéria, convencidos de que não pode haver contradição entre a Ciência e a Fé <6>.

No fim da década de 70, em defesa do direito de decidir sobre a capacidade de procriação, foram desenvolvidas e implantadas as técnicas de Reprodução Assistida, que envolvem a separação entre a procriação e a sexualidade (procriação sem atividade sexual). Em 1978, obteve-se o nascimento do primeiro bebê de proveta (com a transferência do embrião) e nos anos 80 a técnica – conhecida como FIVET (Fertilization In Vitro with Embryo Transference) – foi aperfeiçoada. O passo mais recente é a clonagem, desenvolvida já nos anos 90.

Nos últimos anos – dentro de um processo que poderíamos chamar de gradual desestruturação cultural e humana da instituição familiar –, vem sendo proposta a separação entre identidade sexual e gênero: Ser homem ou mulher não estaria determinado fundamentalmente pelo sexo, mas pela cultura.

Tal mentalidade ataca as próprias bases da família e das relações interpessoais. Se a questão do gênero é cultural e se a pessoa não se identifica com o sexo à hora de projetar-se como masculina ou feminina, então porque a mãe não pode fazer o papel de pai e vice-versa?

Neste início do novo milênio, uma profunda crise da paternidade em todos os níveis – biológico, ontológico, educativo e funcional – levou a Sociedade a aceitar como normal a separação entre procriação e paternidade. O pai já não é mais necessário para procriar. Está sendo estudada até mesmo a reprodução a partir de duas mulheres. A Sociedade ideal deveria conduzir à indiferenciação sexual. As pessoas com inclinações homossexuais teriam amparo jurídico e social para as suas situações sexuais e os filhos perderiam definitivamente a figura do pai.

O pai desaparece quando o que se pretende é que o filho dependa unicamente da decisão individual da mulher, às vezes até de maneira homossexual, em nome de uma biologização solitária da filiação. O pai é afinal privado do seu filho e destituído da sua função. As conseqüências de tudo isso pertencem ao campo da Ética e, portanto, da Bioética, já que estamos falando da vida do Homem.

Como diz o Professor Anatrella, não basta apenas fabricar carne humana: a filiação deve ser estabelecida partindo da diferença de sexo entre pai e mãe e da sucessão de gerações, e deve ser instituída de modo a poder desenvolver-se e reproduzir-se na História. Uma Antropologia que negue essa realidade – e que portanto sirva de base para uma Ética e para uma Bioética igualmente distorcidas – contradiz a verdade sobre o Homem <7>. As palavras do Papa João Paulo II, ditas há 20 anos na Familiaris Consortio, foram realmente proféticas: “é necessário esforçar-se para que se recupere socialmente a convicção de que o lugar e a tarefa do pai na e pela família são de importância única e insubstituível” <8>.

NOTAS

<1> Cfr. TARASCO, M. “Consideraciones sobre la Influencia del Reporte Kinsey” inCuadernos de Bioética nº 4, Grupo de Investigación en Bioética de Galicia, Santiago de Compostela, 1997.
<2> Cfr. REISMAN, Judith. Kinsey, Crimes Consequences, The Institute for Media Education, Crestwood, KY, 1998 e REISMAN, Judith e EICHEL, Edward. Kinsey, SexFraud: The Indoctrination of a People, Lafayette, LA, Huntington House, 1990.
<3> MASTERS, W.H. e JOHNSON, V.E. Homosexuality in Perspective, Little, BrownCompany, Boston, 1979. ( Citado por VAN DEN AARWEG, G. Homossexualidade e Esperança, Diel, Lisboa 2002, p.57 )
<4> HATTERER, L.J. Changing Homosexuality in the Male, McGraw-Hill, New York, 1970. (citado por VAN DEN AARWEG, G. Homossexualidade e Esperança, Diel, Lisboa 2002, p.58 )
<5> “A homoxessualidade é justamente um tipo de neurose. A pessoa que sofre este complexo leva dentro uma certa ´criança que se auto-compadece´“. VAN DEN AARWEG, G. Homossexualidade e Esperança, Diel, Lisboa 2002, p.94
<6> Cfr. PAULO VI, Encíclica Humanae Vitae, nº 24.
<7> Cfr. ANATRELLA, T. “Las consecuencias psicológicas de la disfunción del sentido de la paternidad en la sociedad actual” em Familia et Vita, edição espanhola, ano IV, nn. 2-3, 1999.
<8> JOÃO PAULO II, Exortação Apostólica Familiaris Consortio, nº 25.

 

Fonte: ConeZe.com

Tradução: Quadrante

ImagemO divórcio é algo que os meios de comunicação não só abordam, como também tratam como se fosse uma festa, algo que mereceria as mesmas flores e pompas de uma boda. Uma celebração que teria, da mesma forma, sua torta de divorcio, sua lista de presentes, muitos taças em brindes alegres e um grupo de convidados aglomerados para ver o marido e a mulher desaparecerem em direções opostas. Não vou defender, neste momento, minha visão religiosa do casamento. Só quero mostrar a freqüente falta de lógica com que tratam este assunto. Nem de longe é um debate racional, senão uma espécie de coro sentimental com argumentos do tipo: “Nós respeitamos o casamento. Inclusive ele nos parece fantástico e sagrado. Porém o casamento é amor, e quando o amor passa de um lugar para outro, quando morre e renasce em outro lugar, o casamento tem que fazer o mesmo”. Com toda minha simpatia pelos sentimentais, este pensamento é uma falácia. É como se um ladrão dissesse que tem respeito pelas coisas dos outros, porém que está pensando em roubar um quadro de Van Gogh do barão Thyssen, porque ele já não o aprecia tanto. É obvio que esta pessoa não entende o que significa uma lei, nem tampouco uma instituição. Porque o casamento é uma instituição jurídica como qualquer outra, estabelecida para cumprir certas funções. Uma chácara não pode se despedir do caseiro, quando o interesse dele por ela começa a decair. Um cão não pode deixar seu dono e fugir alegremente com outra pessoa. E a relação entre esposos, bem como a relação entre pais e filhos, não pode ser desfeita por um mero afloramento sentimental. Há exceções, porém o que agora me interessa é deixar claro que existe uma instituição que exige lealdade. Os sentimento têm o direito de terem os sentimentos que quiserem, porém não podem afirmar que uma instituição é a mesma coisa que uma emoção. Um dos inconvenientes do mundo pagão era que abaixo de certo nível social, ninguém estava seguro quanto a questão da paternidade. Quando as escravas cristãs começaram a defender sua dignidade até a morte, um novo mundo brotou. A cristandade, foi a civilização que esses mártires construíram. E agora, a antiga escravidão volta a oferecer o mais forte de seus subornos. Aqueles que desejam a degradação da dignidade humana, têm escolhido muito bem seus instrumentos.”

G.K.Chesterton 

Os estimuladores do divórcio*

*Capítulo disponível no livro La Mujer y la Familia, publicado pela editora Styria

Por Thaddeus Baklinski

Imagem

Um estudo conduzido na Universidade Cornell revelou que jovens amasiados não estão se casando porque temem as devastações do divórcio.

estudo, “The Specter of Divorce: Views from Working and Middle-Class Cohabitors” (O Espectro do Divórcio: Opiniões de Amasiados da Classe Trabalhadora e da Classe Média), foi publicado na revista Family Relations (dezembro de 2011) e tem a autoria conjunta de Sharon Sassler, professora de administração e análise de políticas públicas na Cornell, e de Dela Kusi-Appouh, doutoranda da Cornell na área de sociologia de desenvolvimento.

“Os jovens americanos cada vez mais expressam apreensão com sua incapacidade de administrar bem relacionamentos íntimos. Parcialmente em resposta, a coabitação se tornou a norma durante as últimas décadas”, escreveu a Dra. Sassler.

A publicação do estudo coincide com o lançamento de um relatório do Centro de Pesquisa Pew que revelou que apenas 51% dos adultos nos Estados Unidos estão atualmente casados, o índice mais baixo de toda a história, e que o número de novos casamentos nos EUA declinou em 5% entre 2009 e 2010.

As pesquisadoras da Cornell entrevistaram 122 casais amasiados da classe trabalhadora e da classe média e constaram que dois terços, ou cerca de 70 por cento, dos entrevistados confessaram que têm preocupações sobre lidar com as consequências sociais, legais, emocionais e econômicas de um divórcio. Entretanto, as pesquisadoras descobriram diferenças em atitudes baseadas na classe a que os entrevistados pertenciam.

O estudo revelou que os casais amasiados da classe trabalhadora são mais propensos a ver o casamento como “apenas um pedaço de papel”, praticamente idêntico ao seu relacionamento existente. Eles têm uma probabilidade duas vezes maior de confessarem temores de estarem presos no casamento sem nenhuma saída logo que estejam se apoiando na parte da renda de seu parceiro para sobreviver. “As mulheres da classe trabalhadora, de modo particular, veem o casamento de maneira menos favorável do que os homens e as mulheres da classe média, em parte porque elas veem o casamento como difícil de sair e relutam em assumir restritivos papéis sexuais”, escreveram as pesquisadoras.

Entretanto, elas descobriram que “os amasiados da classe média têm mais probabilidade de ter concretos planos de casamento e acreditam que o casamento significa um compromisso maior do que a coabitação”. As autoras disseram que esperam que suas descobertas poderiam ajudar os conselheiros pré-maritais a adaptarem melhor suas aulas para amenizar os temores generalizados de divórcio e para mirar as necessidades específicas de várias classe socioeconômicas.

A Fundação Família das Américas (FFA), uma organização profundamente preocupada com as devastações que o divórcio provoca em indivíduos e famílias, declara que a hesitação para se casar devido ao divórcio está ligada à falta de compromisso no casamento por causa do controle de natalidade artificial, esterilização e aborto.

Mercedes Arzú Wilson da FFA disse que a solução para esse problema é a adoção do Planejamento Familiar Natural para substituir os meios artificias de regulação da concepção e aborto. Arzú Wilson aponta para um estudo realizado pelo sociólogo Dr. Robert Lerner da Universidade de Chicago que revelou uma correlação absoluta entre casais que usam o PFN e casamentos felizes e bem-sucedidos.

O resumo das descobertas nesta análise de três pesquisas independentes constatou que os usuários de PFN têm um índice de divórcio dramaticamente baixo (0.2%), em comparação com o índice nacional dos EUA de 50%.

“Todos concordariam em que o divórcio é a maior tragédia que pode sobrevir a uma família”, disse Wilson. “O alicerce mais importante da sociedade para se manter segura e saudável de modo físico, moral e espiritual é a família. Se a família está sofrendo decadência física, mental e espiritual, a sociedade é colocada em grave perigo, como tem sido frequentemente o caso nas civilizações passadas”, concluiu Arzú Wilson.

Um resumo do estudo da Universidade Cornell está disponível aqui.

ITHACA, N.Y., EUA, 20 de dezembro de 2011 (Notícias Pró-Família)

Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com

Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com

Veja também este artigo original em inglês: http://www.lifesitenews.com/news/study-young-couples-not-marrying-due-to-fear-of-divorce

Por Carlos Alberto Di Franco

Imagem

A grande incidência de adolescentes contaminados pelo vírus HIV motivou o Ministério da Saúde a partir para a distribuição de preservativos diretamente nas escolas. Para facilitar o acesso, estão sendo testadas máquinas que disponibilizam o produto automaticamente. Municípios dos estados da Paraíba e de Santa Catarina foram escolhidos para testar e aprimorar o equipamento. O objetivo estratégico é ambicioso: instalar as máquinas em todo o sistema público de ensino. Destinatários: jovens entre 13 e 19 anos. Surpreende a precocidade do público-alvo inicial.

Máquina do bem ou do mal? O debate está aberto. Com razão. O avanço da aids, não obstante as campanhas milionárias em favor da camisinha, indica que algo não está funcionando. Esse aumento, sem dúvida preocupante, pode levar, mais uma vez, aos diagnósticos superficiais e, por isso, míopes: focar a questão apenas nas campanhas em favor do chamado “sexo seguro”. A camisinha será a panacéia para conter a epidemia. Continuaremos padecendo da síndrome do avestruz. Bateremos nos efeitos, mas fugiremos das verdadeiras causas: a hipersexualização da sociedade.

Na verdade, caro leitor, as campanhas do governo não têm dado resposta adequada ao verdadeiro problema: a influência do gigantesco negócio do sexo, que, impunemente, acaba determinando comportamentos e atitudes. A culpa não é só do mundo do entretenimento. É de todos nós –governantes, jornalistas, formadores de opinião e pais de família- que, num exercício de anticidadania, aceitamos que o País seja definido mundo afora como o paraíso do sexo fácil, barato, descartável. O governo, assustado com o crescimento da gravidez precoce e com o crescente descaso dos usuários do preservativo, investe agora na máquina de camisinha. Não vai resolver. Afinal, milhões de reais já foram gastos num inglório combate aos efeitos. E o resultado está gritando na força dos fatos e dos números: a aids continua sendo um problema de saúde pública.

Imagem

Impõe-se buscar soluções inovadoras e eficazes. Sempre intui a necessidade de um aprofundamento sério no tema da formação da sexualidade. Em meu esforço de apuração, topei com uma experiência surpreendente: o programa denominado “Protege tu Corazón”. A história começa em 1993, na Colômbia. Tal como a grande maioria dos pais, Juan Francisco e Maria Luisa Velez, começaram a se preocupar com a educação sexual que seria implantada nas escolas de seus filhos. A orientação proposta, contrariava tudo o que haviam imaginado transmitir a seus filhos a respeito do amor, da sexualidade, da família e da vida. Confundia-se sexualidade com sexo, amor com sexo e alicerçava-se seu conteúdo exclusivamente no que denominavam “sexo seguro” . O que queriam dizer com sexo seguro? Algo parecido com o que acontece por aqui. Fomenta-se, por um lado, a cultura da hipersexualização e da promiscuidade. Tenta-se, por outro, preservar os adolescentes de uma gravidez indesejada e da transmissão de DST com o uso dos preservativos. Ninguém, no entanto, se preocupa com as dramáticas consequências físicas, emocionais e afetivas provocadas pelo oba-oba sexual.

Este casal não se limitou a lamentar, mas, com apoio de especialistas e sobretudo de outros pais de família, elaborou um Programa de Educação da Sexualidade para ser aplicado nas escolas. O programa se espalhou por 18 países na América Latina, do Norte, Europa e Filipinas. Tem um slogan simples e direto: “Caráter forte, sexualidade inteligente”, ou seja, entende que em primeiro lugar a sexualidade é um componente fundamental da personalidade, um modo de ser, de se manifestar, de se comunicar com outros, de se expressar e de viver o amor humano.

A proposta do programa é ajudar os adolescentes a fortalecer o seu caráter, de tal forma que a inteligência e a vontade adquiram prioridade sobre os sentimentos. Os adolescentes são normalmente impulsivos, não se conhecem bem, são inseguros, e são essas carências que os fazem tomar decisões equivocadas e a correr riscos desnecessários, sobretudo ao iniciarem um relacionamento sexual muito precoce. O programa “Protege tu Corazón” já está no Brasil (www.protegetucorazon.com.br) e desenvolve um projeto piloto no Colégio Ranieri em São Paulo.

A metodologia é interativa, moderna, com material audiovisual, dramatizações, discussões em grupo, exercícios escritos, etc. Com esta metodologia pretende-se que o adolescente seja levado a refletir sobre suas escolhas, sobre seus sonhos. Apresenta uma característica importante que é fomentar o diálogo entre pais e filhos e acima de tudo o programa tem uma norma: “Propôr e não impôr”. Faz pensar e aposta na liberdade.

Os adolescentes, frequentemente bombardeados pela banalização do sexo, se surpreendem ao perceber uma outra forma, positiva e responsável, de entender a sexualidade. Mas os principais protagonistas dessa mudança são os próprios pais. O programa na escola, é uma ajuda poderosa para os pais, mas não pretende nem substituí-los nem subestimá-los. Apoia-os e oferece ferramentas concretas para facilitar a comunicação entre pais e filhos. É uma parceria interessante e os resultados me impressionaram.

A iniciação sexual precoce, o abuso sexual e a prostituição infantil são, de fato, o resultado da cultura da promiscuidade que está aí. Ainda pouco se fala do Brasil no exterior. E, quando se fala, infelizmente, o noticiário se reduz às ações do crime organizado, aos escândalos envolvendo políticos e governantes, às queimadas na Amazônia e à miséria da nossa periferia. Limitam nossa cultura e nossa arte ao rebolado. É uma pena. O Brasil é, sem dúvida, muito mais que o país do gingado e do carnaval.

Matéria publicada no dia 20 de Setembro de 2010 no Jornal O Estado de São Paulo.

Carlos Alberto Di Franco, diretor do Departamento de Comunicação do Instituto Internacional de Ciência Sociais – IICS (www.iics.edu.br) e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor da Di Franco – Consultoria em Estratégia de Mídia (www.consultoradifranco.com).

E-mail: difranco@iics.org.br

Publicado no Portal da Família e em estadao.com.br

Por Mikel Gotzon Santamaría 

Imagem

Casamento e ato conjugal

Quando homem e mulher se amam a sério, entregam-se um ao outro para sempre e isso é o matrimônio. Então tem sentido a expressão corporal dessa entrega total, que é o ato conjugal, que por vezes designamos como “fazer amor”.

Na realidade, fazer amor, de verdade, só é possível dentro do casamento, porque só quando duas pessoas se entregaram já totalmente, esse ato é verdadeira expressão do amor total. Se não houve entrega da própria vida mediante o matrimônio, não pode haver expressão autêntica de uma entrega que ainda não existe. O ato sexual fora do matrimônio é uma mentira total. Pelo contrário, se “fazer amor” é amar a sério, expressão da entrega total de um homem e uma mulher para toda a vida, então é algo nobre, santo e bom.

O que é casar-se

Neste momento pode ser difícil entender por que está reservado o ato sexual à intimidade da vida matrimonial. Para perceber isto, há que entender antes o que é o matrimônio. Atualmente muitos interpretam o casar-se como uma mera burocracia, um simples documento que nada tem que ver com a realidade do amor. Este erro é compreensível quando a introdução legal do divórcio suprime o reconhecimento legal duma entrega para sempre.

Vejamos: se, segundo a lei, qualquer casal se pode divorciar, então a lei não reconhece a existência de um verdadeiro matrimônio para sempre. Casar-se é entregar-se para sempre, é como atirar-se sem pára-quedas: uma vez que se saltou, já não há remédio. O casar-se com a possibilidade legal de divórcio é como atirar-se com pára-quedas, e isto quer dizer que não há diferença real entre o que se chama casar-se e a simples união de um casal. Um e outro estão juntos enquanto lhes der na cabeça e, quando quiserem, separam-se e é como se nada se tivesse passado.

Na realidade, se um casal quisesse receber um reconhecimento civil da sua entrega para sempre, teria de conseguir antes uma lei que reconhecesse essa realidade, o que, de momento, não existe em muitos países. Do mesmo modo que diversos coletivos lutam por obter um reconhecimento jurídico da sua estranha relação, também o casal que quiser casar-se para sempre deverá lutar por uma lei de “matrimônio de alto risco”, que reconheça que se entregaram irrevogavelmente. Enquanto não existir essa lei, não existe, na realidade, a figura jurídica do matrimônio civil. A partir da introdução do divórcio, o que se chama matrimônio é o mesmo que uma união temporária, com reconhecimento jurídico.

Com esta situação legal e socialmente aceite, é lógico que o casamento se interprete como um ato sem valor ou como uma celebração social que não afeta a realidade do amor. Mas o casar-se não tem nada a ver com uma celebração ou com uns papéis. Casar-se não é outra coisa que a entrega mútua de duas pessoas para sempre. Os papéis não são senão uma expressão externa dessa realidade interior que se consuma na intimidade da vontade e se exprime na intimidade do corpo.

O compromisso irrevogável da vontade

Se percebemos o que é o enlace matrimonial damo-nos conta de que é uma nova realidade: as vontades de ambos os cônjuges comprometeram-se irrevogavelmente. E se uma pessoa se entregou desta maneira, sucede como com o que se atira sem pára-quedas: ou se atirou ou não se atirou, mas, se se atirou, já não pode voltar atrás. Isto ajuda-nos a distinguir entre o ato do matrimônio, que é uma realidade que surge pelo consentimento das vontades, e os papéis, as cerimônias e as festas.

Pode dar-se o caso de ter havido cerimônia, papéis, festa, inclusive celebração religiosa do matrimônio e que, na realidade, não tenha havido matrimônio, porque faltou a essência, que é a decisão dos cônjuges de entregar-se um ao outro para sempre, para terminar nos filhos. Por exemplo, no caso de um dos noivos querer simplesmente tirar proveito do casamento, mas não querer comprometer-se para sempre.

Em certas ocasiões, isto deixa-se explicitamente escrito numa declaração perante o notário, de maneira que, mais tarde, a parte culpável pode demonstrar judicialmente que houve engano e, portanto, não está casada. Nesses casos, também a Igreja Católica, depois de um processo judicial, declara que aquele hipotético matrimônio nunca existiu e que as partes são livres. E se a parte culpável se arrepende daquele engano, deverá repetir a cerimônia perante o sacerdote, porque o contrato anterior nunca existiu nem existe. Se quer estar casado, terá que casar-se agora.

A mentira da relação pré-matrimonial

Se se compreende esta realidade da entrega matrimonial, entende-se também que não é o mesmo haver relações sexuais antes de se casarem ou depois. Se ainda não se casaram, então não se comprometeram. Imaginemos que, no dia seguinte a essa relação, a outra parte tem um acidente e fica terrivelmente desfigurada. Se não me entreguei mediante o matrimônio, “na saúde e na doença”, posso colocar a mim próprio a possibilidade de, com o tempo, refazer a minha vida com outra pessoa. Mas se me entreguei, tenho uma obrigação de estrita justiça para com o outro: na saúde e na doença, o meu coração e o meu corpo são seus, até que a morte nos separe.

Antes do matrimônio, pode existir a realidade do apaixonamento e a intenção de entregar-se. Contudo, não existe a realidade do amor e da entrega livremente assumidos para sempre. Por isso, “fazer amor” é verdade e portanto bom, mas só depois do casamento, que não se fundamenta na celebração externa mas sim no ato da vontade dos que se entregaram para sempre.
(…)

 

(Mikel Gotzon Santamaría Garai, in Saber Amar com o Corpo)

Artigo publicado com a autorização de educacao.aaldeia.net

Sobre

O blog Humanizando o Sexo tem como objetivo conscientizar os jovens e adolescentes do risco de banalização de sua sexualidade e motivá-los a viver a virtude da castidade. Aqui também serão divulgados estudos e reportagens sobre as falhas do preservativo e de outros métodos contraceptivos, dados que costumam ser ocultados e falseados pela mídia, especialmente durante as campanhas de distribuição de preservativo no carnaval.

O QUE É A CASTIDADE?

SEXO TEM PREÇO!

Visitantes

  • 32,950

Clique para receber nossas atualizações no seu email!

Humanizando o sexo

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.