Humanizando o Sexo

Da crise no romantismo

Publicado por: humanizandoosexo em: 25/05/2012

Feche os olhos.
A noite já caiu e no céu começam a surgir as primeiras estrelas. O som ao longe é de uma bela valsa. Você se aproxima e percebe de onde vem a música, é um baile. Um belo baile. Você encontra o seu amigo, que é como a donzelas chamavam seus namorados em meio ao trovadorismo, ele a olha nos olhos, sorri e lhe entrega uma rosa que trazia oculta nas costas.

Ele abre os lábios, esboçando o início de uma frase, quando, de repente, você acorda. Tinha cochilado. Olha em volta e vê onde você estava de fato, no banco de uma pracinha com um livro nas mãos. Você se levanta, passa por um jovem rapaz e ele cospe a seguinte pérola:
Nossa, nossa!
Assim você me mata…Ai se eu te pego, ai ai se eu te pego.

Céus! Como pode ser isto possível? Como o homem, sendo dotado de inteligência, pode proferir uma desgraça como essas? Como?

É, chegamos ao ponto de tamanha decadência. Depois de Shakespeare e Camões bradarem aos quatro ventos deste azulado planeta  juras de amor eterno e maravilhosas composições que fariam o coração de qualquer donzela palpitar, eis que uma voz se ergue – a de Michel Teló! Pasme comigo.

Como nos diria Vander Lee em sua cançãoRomântico é uma espécie em extinção.
Em nossas músicas contemporâneas o que mais podemos notar é o objeto em que transformaram a mulher.
Eu te imagino, eu te conserto
Eu faço a cena que eu quiser
Eu tiro a roupa pra você
Minha maior ficção de amor
Eu te recriei, só pro meu prazer
Só pro meu prazer
(Só pro meu prazer – Leoni)

Notam o estado de calamidade pública em que nos encontramos? Por que raios não fazem melodia para essa raridade de Sêneca?
Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas.
Sêneca

Isto se deve a gradual decadência que nossa sociedade tem assistido e, não raras vezes, aplaudido de pé. A música de Michel Teló, por exemplo, até versão em inglês ganhou. Que ótimo! Assim, mais pessoas no exterior vão ratificar suas infames opiniões de que a mulher brasileira é uma qualquer. Não é perfeito? Não para nós. Mas, para as feministas talvez seja. Afinal, elas não queriam tanto a emancipação sexual? A igualdade de gênero? Eis o preço que pagamos agora pela infeliz audácia das militantes deste medíocre movimento.

O contexto hedonista no qual estamos inseridas, busca o prazer acima de tudo. Do grego hedonê, que significa prazer/vontade, o hedonismo é uma filosofia que afirma ser o prazer o supremo bem da vida. Isto é indiscutivelmente irracional, pois desrespeita a ordem das coisas. O prazer em si é bom e é querido por Deus, mas não pode ser um fim em si mesmo. É bom sentir prazer comendo, por exemplo, mas comer é apenas um meio para chegar ao fim próximo que é manter a saúde de forma a termos o corpo fortalecido para seguir os caminhos do Cristo, nosso fim último. Comer muito por prazer a ponto de até mesmo sentir-se mal é agir contra a reta razão, é alterar as prioridades. O prazer é um meio e antecipa-nos uma prévia do que será o gozo no Reino dos Céus, na  Jerusalém Celeste, onde louvaremos o Tudo com todos.

Este meio social em que as pessoas são formadas para pensarem só em seus próprios umbigos, ignora a dignidade da mulher e, não só, a dignidade humana. Toda esta volta filosófica que demos é para que possamos ver sob uma nova luz a que ponto chegamos. Acredito que tanto as feministas quando o hedonismo tem sua parcela de culpa nesta atual crise no romantismo inerente aos dias atuais. Este por buscar desenfreadamente o prazer e somente o prazer e, aquelas, por não enxergarem o que até uma criança de 3 anos enxergaria facilmente: meninos são diferentes de meninas.

A cega busca por igualdade, levou as mulheres a dividir as contas do restaurantes, a não deixar que abrissem mais as portas do carro para elas, a ver os métodos para evitar a gravidez como o pó depirlimpimpim que as faria se aventurar irresponsavelmente por aí, tendo relações casuais com qualquer um, a qualquer hora sem a dor de cabeça de pensar sobre isso no dia seguinte. Mas, sabem o que mais? Não há dor de cabeça porque sequer há cabeça na criatura!

Percebam, mulheres, quem perde nesse jogo são vocês! O aumento do contágio com doenças sexualmente transmissíveis, o número que só cresce de crianças ”sem pai”, as incontáveis meninas que foram ”largadas de barriga”, as mães/donas de casa/trabalhadoras que chegam em casa exaustas do trabalho e mal tem tempo de passar um tempo razoável com os filhos… “Coincidências” que só apareceram depois da emancipação feminina… Que coisa, não?
É tempo de retirar o romantismo da gaveta, desempoeirar-lhe a fronte e abrir a janela para que ele saia voando por aí, livre! Contagiando os corações endurecidos pelo tempo…

“Eis agora aqui, disse o homem, o osso de meus ossos e a carne de minha carne”
A primeira declaração de amor que o universo ouviu.

Fonte: http://donzelacrista.blogspot.com.br/

É verdade que o caráter especial do amor conjugal se assinala pelo fato de este amor não poder existir senão entre homens e mulheres, e não entre pessoas do mesmo sexo, como ocorre com a amizade e com o amor paterno ou filial. Seria porém incrivelmente superficial considerar tal diferença entre homens e mulheres somente como de ordem biológica. Com efeito, defrontamo-nos com dois tipos complementares de pessoa espiritual na espécie humana.

A diferença entre o homem e a mulher não a devemos exagerar nem subestimar. Por vezes, têm-na exagerado grosseiramente; foi caso, por exemplo, de Aristóteles, ao afirmar que o homem é um ser em ato e a mulher um ser em potência. Ademais, têm-se estabelecido, pelos costumes, no decurso de muitos séculos, diferentes padrões morais para a conduta já do homem, já da mulher. Isso é absolutamente falso. Há uma única moral para ambos, e ambos são igualmente pessoas humanas completas. A natureza humana é idêntica em ambos.

Por outro lado, não se deve subestimar nem reduzir só à biologia a diferença entre o homem e a mulher. Há, sem dúvida, traços especificamente femininos ou masculinos da personalidade. Por mais que as feministas de todas as categorias o tentem negar, ou pelo menos reduzir ao mínimo a existência de características pessoais baseadas no sexo, por mais que as mulheres modernas se mostrem ansiosas por eliminar tal diversidade, adaptando o seu comportamento ao dos homens, usando calças compridas e assim por diante, permanece inegável realidade a diferença na estrutura da personalidade do homem e da mulher. Se tentamos delinear estes traços especificamente femininos ou masculinos, encontramos nas mulheres uma unidade de personalidade decorrente do fato de o coração, o intelecto e o temperamento estarem nela muito mais entrelaçados, ao passo que no homem há uma específica capacidade de emancipar-se, com o intelecto, da esfera afetiva. Aquela unidade do tipo feminino da pessoa humana se revela também em maior unidade na vida interior e exterior, uma unidade de estilo que envolve tanto a alma como o comportamento exterior. Na mulher a própria personalidade se situa mais em primeiro plano do que as realizações objetivas, ao passo que o homem, por ter uma criatividade específica, é mais atraído para as realizações objetivas. (…)

O que importa no nosso contexto é compreender, em primeiro lugar, que o homem e a mulher não só diferem na ordem biológica ou fisiológica, mas são duas expressões diversas da natureza humana; em segundo lugar, que a existência desta duplicidade da natureza humana possui grande valor. Ainda que nos abstenhamos, por enquanto, de todas as razões biológicas, bem como da procriação, temos de compreender como o mundo é mais rico por esta diferença, e que de modo algum é desejável que se elimine demasiadamente esta distinção no reino espiritual. Infelizmente, a tendência neste sentido está demasiadamente disseminada nos dias de hoje.

É necessário compreender também que esta diversidade tem caráter complementar específico. O homem e a mulher são espiritualmente determinados um para o outro – foram criados um para o outro. Em primeiro lugar, têm uma missão recíproca; em segundo lugar, mais do que entre pessoas do mesmo sexo, é possível entre eles, por causa desta diferença complementar, uma comunhão mais íntima e um amor mais perfeito.

A sua missão recíproca revela-se tanto num benéfico enriquecimento mútuo como na diminuição dos perigos a que estão expostos os tipos masculino e feminino do ser humano quando se encontram privados desta influência. A inegável influência enriquecedora manifesta-se numa tensão animadora, numa fecundação no plano puramente espiritual.

Quanto à redução dos perigos, pode-se facilmente notar que os homens correm o risco de se tornar vulgares, esgotados ou despersonalizados pelo seu ofício ou profissão, quando estão completamente afastados de qualquer contato com o mundo feminino; e que as mulheres estão sujeitas a se tornar mesquinhas, egoístas e hipersensíveis, quando estão completamente afastadas de qualquer contato com os homens. Por conseguinte, é uma grande bênção para a criança, do sexo masculino ou feminino, receber a influência tanto do pai como da mãe.

Dietrich von Hildebrand foi um filósofo alemão do séc. XX com publicações em Ética, Estética e Metafísica. Também escreveu abundantemente e apresentou reflexões profundas sobre a natureza do amor, o Matrimônio, a  pureza e a castidade. Este trecho apresentado é parte do livro ‘O amor entre o homem e a mulher’, com tradução de Carlos A. Nougué. Grifos nossos

O amor é uma resposta ao valor. Por esta expressão, que talvez não seja familiar ao leitor, entendemos os atos pessoais que se motivam pelo valor intrínseco do objeto, em contraste com as atitudes originadas pelo simples aspecto subjetivamente satisfatório de um bem.

(…) Em resposta ao valor, o homem amolda-se àquilo que é importante em si mesmo, a um bem que é dotado de valor. Aqui ele está interessado em alguma coisa, não porque esta lhe satisfaça algum apetite ou porque seja um bem para ele mesmo, mas por causa da sua beleza e bondade intrínsecas. Uma típica resposta ao valor é o ato de vontade mediante o qual nos amoldamos ao apelo moral, obedecemos à lei moral. Não obstante, as respostas ao valor não se restringem à esfera volitiva; encontram-se também na esfera afetiva, como o entusiasmo, a admiração e, sobretudo, o amor.

O amor é uma resposta a uma pessoa que nos comoveu o coração pelo belo e precioso da sua personalidade. O amor é uma resposta ao valor. Quando amamos alguém, esta pessoa permanece preciosa, nobre e louvável para nós. Se alguém nos é somente útil ou somente nos diverte, não podemos amá-lo. Podemos ‘gostar’ dele. Quando amamos, temos necessariamente consciência de que o ente amado é louvável, de que nos merece o amor. O amado sempre é não só um amatus, mas um amandus.

Por conseguinte, a ideia de que a pessoa que ama vê o outro como um meio para a sua própria felicidade constitui o mais radical equívoco a respeito do amor.

A resposta que damos à preciosidade e beleza do ente amado manifesta-se no desejo de união com ele, a intentio unionis, e no interesse pela sua felicidade ou bem-estar, a intentio benevolentiae.

Vejamos primeiro a intentio unionis. Todo e qualquer amante deseja unir-se à pessoa amada. Amando, não só se lhe busca a presença, não só se busca saber-lhe acerca da vida, das alegrias e sofrimentos, e se nutre o desejo de compartilhá-los de algum modo, mas sobretudo se aspira a uma união dos corações, uma união que só o amor recíproco pode proporcionar.

intentio benevolentiae, que igualmente é uma sinal fundamental de todo e qualquer amor, manifesta-se no completo interesse pela felicidade, bem-estar terreno e eterno da pessoa amada. Revela-se numa participação singular do seu destino. A intentio benevolentiae, todavia, é mais que o profundo interesse pelo bem-estar da pessoa amada, ou até que o desejo de fazê-la feliz. É o modo bondoso de vê-la, é o sopro da bondade que se encontra no amor mesmo, o próprio elemento que torna o amor uma bondade crescente. No amor, vertemos (por assim dizer) esta mesma bondade na alma do ente amado – acariciamos-lhe a alma.

Após estas referências acerca da natureza do amor em geral, voltemos ao amor entre o homem e a mulher, isto é, ao específico tipo de amor que, como se disse antes, se chamará aqui amor conjugal.

Seria um grande erro crer que as características deste amor derivam do fato de o sexo acrescentar-se ao amor em geral, por exemplo, ao amor de amizade. Falamos já sobre a tentativa absurda de reduzir o amor ao sexo. Não basta, contudo, abster-se dessa superstição; é preciso também ver a diferença básica entre o amor conjugal e os meros instintos sexuais. É preciso também proteger-se do erro segundo o qual a específica categoria do amor entre o homem e a mulher reside na mera combinação de amor e sexo.

Dietrich von Hildebrand foi um filósofo alemão do séc. XX com publicações em Ética, Estética e Metafísica. Também escreveu abundantemente e apresentou reflexões profundas sobre a natureza do amor, o Matrimônio, a  pureza e a castidade. Este trecho apresentado é parte do livro ‘O amor entre o homem e a mulher’, com tradução de Carlos A. Nougué. Grifos nossos.

“Treinando” para o casamento

Publicado por: humanizandoosexo em: 17/02/2012

por Crystalina Evert

Quando eu era do colegio, me lembro que um dia fui para a casa de uma colega, e vi sua mãe e seu pai. Eu me lembro de perguntar para ela: “Você não acha estranho ter seu pai sempre em casa?” Ela simplesmente me olhou meio confusa e falou: “Hm… não, não acho”.

Meus pais se separaram quando eu tinha dois anos. Dos meus seis tios e tias, cinco eram divorciados, e a maioria das minhas amigas viviam em lares onde só havia a mãe, algumas vezes só o pai. Aos meus olhos, não acreditava que as relações pudessem durar. Então, quando comecei a namorar, não tinha a menor idéia do que seria um relacionamento saudável.

O drama dos meus relacionamentos geralmente seguiam um roteiro: eu paquerava, me “apaixonava”, e depois as coisas ficavam muito “quentes” fisicamente. Seguia-se o desrespeito, abuso, infidelidade, sarcasmo, e desonestidade. Daí então a gente terminava (geralmente várias vezes), e depois repetia o processo todo com outra pessoa. Eu sei que parece meio depressivo, mas era minha realidade, já que todas as minhas amigas estavam na mesma situação.

Depois de alguns anos vivendo assim, você pode imaginar que eu não tinha lá muita vontade de me casar. Na verdade, eu debochava das pessoas que viam o casamento como um objetivo na vida. Eu pensava: “Meu Deus, como são ingênuas essas pessoas! Elas estão apenas caminhando para a frustração!” Eu nunca desejei passar por um divórcio, e eu sabia exatamente como evitá-lo: não me casando nunca.

Mas, finalmente, me veio um pensamento. Se ninguém quer um divórcio, porque todo mundo vive como se estivesse treinando para ter um? Ao invés de treinarmos para a fidelidade, tínhamos essa mentalidade: “Se te dá vontade, vai lá e faz!” Ao invés de ensinar as outras pessoas a nos respeitar, deixávamos as pessoas nos usarem. Mas será que esses hábitos vão levar um casamento a ser duradouro? Com certeza não, pois tudo depende de mim.

Eu não mudei meu jeito de ser da noite para o dia, porque eu não sabia sequer como deveria ser tratada. Eu tinha recaídas de tempos em tempos, mas sempre pensava comigo mesma: “Se eu quero dar aos meus filhos a família que eu nunca tive, então tenho que parar de agir como vítima”. É muito fácil desistir, entrar em desespero, e admitir a derrota, do mesmo jeito que é fácil se divorciar.

O que não é fácil é se fazer vulnerável, praticar o auto-controle, ficar longe de relacionamentos sem futuro, e ter a coragem de manter firme a esperança de que o verdadeiro amor existe. Mas parece que as únicas pessoas que encontram o verdadeiro amor são exatamente as pessoas que fazem isso. A idéia de se tornar um marido ou uma esposa pode parecer algo distante para você, mas as virtudes ou vícios que você pratica hoje irão moldar quem você irá se tornar, e a maneira com que você vai se permitir ser tratada no futuro.

__________
Trecho do livro “Theology of the body for teens”, p. 129

Tradução tirada do blog Vida e Castidade.

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O blog Humanizando o Sexo tem como objetivo conscientizar os jovens e adolescentes do risco de banalização de sua sexualidade e motivá-los a viver a virtude da castidade. Aqui também serão divulgados estudos e reportagens sobre as falhas do preservativo e de outros métodos contraceptivos, dados que costumam ser ocultados e falseados pela mídia, especialmente durante as campanhas de distribuição de preservativo no carnaval.

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